Durante esta aula, a propositora nos levou para um lugar mais concreto do que é um corpo investigativo, o que investigar na dança; como propor? como experimentar? com constatar?
"O corpo investigativo é um corpo sempre em dúvida." (Gladis)
Como lidar com a dúvida?
No meu experimento anterior eu tinha escolhido o caminho da crise, para testar e provocar um estado.
Por mais simples que pareça a proposta o corpo permanece realmente em dúvida, e a proposta também.
É uma espécie de "será que é isso mesmo?". E constantemente as constatações vão mudando.
Nas propostas e falas da propositora de hoje eu pude sentir isso, numa imensa crise, porém num imenso alívio, de perceber que é a crise é também um caminho normal.
Ao mesmo tempo isso me leva a pensar que pra mim a crise tornou tão habitual, então será que ela já não é um estado de acomodação?!
Inicialmente fomos levados à experimentar maneiras de propor, de questionar para simplesmente explorar o que foi chamado de "campo de constatação" em algum momento, e achei que cabia aqui nesta descrição.
Um das propostas foi dançar a nossa pergunta (do projeto), depois fazer anotações dizendo "O que eu fiz aqui hoje." Depois de feito, nós deveríamos escolher alguém para dançar o que nós escrevemos.
Escolhi a ação de me empurrar do chão com a atuação de pequenos grupos musculares, isolando a caixa de força. Porém escolhi inverter o plano usando a parede como chão, porque na posição ereta estes músculos já estão parcialmente ativos. A idéia era tentar isolar o máximo essa parte para ter o mínio de esforço. Não consegui!
A questão depois disso era como era ver a sua ação no outro, como dançar o que o outro dançou de você, e como tornar tudo isso questionável?
Consegui dar uma definição pra minha hipótese experimento, que era ir contra a organicidade para achá-la. Isso se chama oposição! Rs.
Depois disso percebi que existe uma certa confusão do meu corpo entre FORÇA e TENSÃO.
Nisso surgiu a questão "como eu lido com os conteúdos conscientes e inconscientes ao mesmo tempo? Mesmo que numa ação simples."
Com essas questões, fomos para as duplas para nos auxiliarmos a questionar e criar hipóteses para nosso estudo.
A questão continuou: "Que tipo de experiência gera/cria/afeta organicidade no corpo?
Passei a entender a essa organicidade como especificamente ANATÔMICA. Sem ser interferida nesse momento pelo tempo ou espaço em forma de restrição.
Uma das hipóteses para experimentar isso foi a PAUSA, e a ESCUTA do corpo.
Pensando nessas questões me veio a sensação de RESSOAR, uma palavra que já vem sendo dita por outros propositores desde o princípio. Então quando o movimento inicia e ressoar para o restante do corpo é como se ele se tornasse orgânico.
Testando o experimento descrito antes, eu percebi que o meu corpo realmente vai buscando caminhos pra facilitar a ação e torná-la mais orgânica. Fico pensando se isso é realmente inconsciente ou já é uma resistência, ou habito, ou até mesmo uma antecipação da constatação que eu espero ter.
Depois de todos estes questionamentos sobre como questionar, o conflito, a crise, fica um olhar: "Dança investigativa é só improvisar?
Constatamos que não. Um experimento dura muito tempo, tem várias etapas, várias questões. O que se apresenta é só um pequeno recorte disso."
Bárbara Machuca Thon
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