Inspirada na texto da conferência-performance "O Encontro é uma ferida" de João Fiadeiro e Fernanda Eugenio, experimento de composição e nos encontros comuns...
"Parecia que a muito tempo estava ali! Palpável e reconhecível.
Num impulso eu fui, confiante, em linha reta.
Cheguei e era um papel em branco.
Segui confiante na simples confusão!
Tentei olhar mais fundo, lá dentro - sentir, ouvir.
Era doce e eu suspirava!
No fim daquela ação simples de olhar e esperar, olhar e entrar, perdi o sentido.
Achei que que o papel em branco tivesse ganhado uma marca daquele encontro. Mas não, não tinha nada! No exato momento que eu pisquei os olhos aquela meia palavra que eu achei que surgira, sumia no branco do papel.
Assim, quem sabe começaria tudo novamente...
Um novo encontro, que eu fiquei desenhando nos meus pensamentos.
Não aconteceu! Permaneceu espiralando nas idéias, e não saiu do lugar.
Depois disso não achei mais nada. Nem o par do sapato, nem a opinião.
Zerei, e re-existi."
B. Thon
Espaço Movimento - um espaço de/para/com movimento.Informações, idéias e sensações sobre dança e consciência corporal.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Dança Consciência
A partir de amanhã, sexta-feira 17/05, estarei dando aula de Dança Consciência também no Espaço Paz & Bem. Esta primeira aula será aberta à todos os interessados sem custo nenhum, para que todos possam conhecer o trabalho!
Segue a programação:
16:00 - 16:50 - Crianças
19:00 - 20:30 - Adolescentes e Adultos
Venha dançar e ser com consciência! Você e seus convidados são muito bem-vindos...
Abraço,
Bárbara
Segue a programação:
16:00 - 16:50 - Crianças
19:00 - 20:30 - Adolescentes e Adultos
Venha dançar e ser com consciência! Você e seus convidados são muito bem-vindos...
Abraço,
Bárbara
08/05 - Respirar!
Iniciamos o dia com "Saudação ao Sol", foi intenso e hiper ventilado, rs.
Seguimos com um experimento durante toda a aula, que variou em forma e proporção. A proposta era começar no chão, com tensão e relaxamento, a cada inspiração contrair o corpo (ou partes separadas) contra o chão, na expiração relaxar o corpo. Aos poucos intensificar isso, deixando a expiração-relaxamento conduzir um movimento espontâneo do corpo. Isso foi trabalhado por bastante tempo, intensificando, mudando de níveis espaciais, deslocando pela sala.
Pude perceber um grande padrão de movimentos de braços, e pouca movimentação geral. Onde fica o pulso do meu corpo? Será preciso repetir, repetir e repetir esse padrão até que ele cesse?
Seguimos com o mesmo princípio de movimentação, porém de forma mais dinâmica, toda inspiração era uma pausa e toda expiração um movimento espontâneo do corpo. Os movimentos ainda ficaram estagnados na parte superior do corpo, mas consegui não "pensar" no movimento, e não transforma-los em uma fazeção aleatória. Os movimentos seguiram um padrão, com pouca intensidade, mas consegui sentir a sua origem como algo realmente espontâneo. Não sei até que ponto o subconsciente permite que esses movimentos sejam realmente espontâneos, mas a sensação foi de pura organicidade!
Bárbara M. T.
domingo, 5 de maio de 2013
05/05/13 - Identificando Operações e Sensações
A primeira proposta foi permanecer em uma operação cinética, identificá-la e também quando começa a se modificar. Uma das operações que eu escolhi era caminhar de um ponto ao outro mantendo o ritmo, e com a atenção na movimentação do grupo sem olhar diretamente para eles. Não consegui manter o ritmo, nem a forma e nem atenção. Em muitos momentos percebi que o meu olhar tentando se dilatar ficava "plástico", "emoldurado". Como manter esse corpo consciente sem endurecer?!
A segunda proposta foi improvisar partindo de uma questão, caminhando para uma sensação.
Pra mim foi difícil reconhecer a operação sendo modificada, e principalmente perceber a hora de abandonar uma operação totalmente e partir pra outra. Porém foi muito bom sentir o que é habitual e já ficou evidente no meu corpo, e tentar sair disso um pouco; também o ressoar da escolha do corpo.
Depois o exercício dos 3 tipos de olhares, tentando trabalhar um corpo mais integrado e multidimensional. Entendendo a percepção de um corpo que segue um padrão de ter uma "frente" para se movimentar. Isso foi realmente difícil! Tão difícil que eu senti até um mau estar físico e parei com o experimento. Quebrar os padrões é realmente "desmanchante".
Seguindo, trabalhamos com a sensação porém sem movimentação "dançada". Escolher uma metáfora para a sensação escolhida, ilustrada em uma palavra. A palavra que eu escolhi foi RESSOAR. Representei torcendo a cortina da janela, e a cada torção eu olhava para o alto para ver como o movimento de baixo "ressoava" em toda cortina. Depois de torcida até o final só soltei para ver o movimento final de desmanchar.
Os outros trabalhos foram muito ricos, o que me faz ver que tenho ainda muita dificuldade em arriscar mais nas metáforas, várias questões a se pensar sobre isso. Os trabalhos conceituais me atraem muito!
Pra finalizar nossa grandiosa propositora nos deixou com o seguinte questionamento:
"Qual a função do artista?" "Por que 'coreografar'?"
...
Bárbara Machuca Thon
04/05/13 - Campo de experimentação/Problematização da proposta
Durante esta aula, a propositora nos levou para um lugar mais concreto do que é um corpo investigativo, o que investigar na dança; como propor? como experimentar? com constatar?
"O corpo investigativo é um corpo sempre em dúvida." (Gladis)
Como lidar com a dúvida?
No meu experimento anterior eu tinha escolhido o caminho da crise, para testar e provocar um estado.
Por mais simples que pareça a proposta o corpo permanece realmente em dúvida, e a proposta também.
É uma espécie de "será que é isso mesmo?". E constantemente as constatações vão mudando.
Nas propostas e falas da propositora de hoje eu pude sentir isso, numa imensa crise, porém num imenso alívio, de perceber que é a crise é também um caminho normal.
Ao mesmo tempo isso me leva a pensar que pra mim a crise tornou tão habitual, então será que ela já não é um estado de acomodação?!
Inicialmente fomos levados à experimentar maneiras de propor, de questionar para simplesmente explorar o que foi chamado de "campo de constatação" em algum momento, e achei que cabia aqui nesta descrição.
Um das propostas foi dançar a nossa pergunta (do projeto), depois fazer anotações dizendo "O que eu fiz aqui hoje." Depois de feito, nós deveríamos escolher alguém para dançar o que nós escrevemos.
Escolhi a ação de me empurrar do chão com a atuação de pequenos grupos musculares, isolando a caixa de força. Porém escolhi inverter o plano usando a parede como chão, porque na posição ereta estes músculos já estão parcialmente ativos. A idéia era tentar isolar o máximo essa parte para ter o mínio de esforço. Não consegui!
A questão depois disso era como era ver a sua ação no outro, como dançar o que o outro dançou de você, e como tornar tudo isso questionável?
Consegui dar uma definição pra minha hipótese experimento, que era ir contra a organicidade para achá-la. Isso se chama oposição! Rs.
Depois disso percebi que existe uma certa confusão do meu corpo entre FORÇA e TENSÃO.
Nisso surgiu a questão "como eu lido com os conteúdos conscientes e inconscientes ao mesmo tempo? Mesmo que numa ação simples."
Com essas questões, fomos para as duplas para nos auxiliarmos a questionar e criar hipóteses para nosso estudo.
A questão continuou: "Que tipo de experiência gera/cria/afeta organicidade no corpo?
Passei a entender a essa organicidade como especificamente ANATÔMICA. Sem ser interferida nesse momento pelo tempo ou espaço em forma de restrição.
Uma das hipóteses para experimentar isso foi a PAUSA, e a ESCUTA do corpo.
Pensando nessas questões me veio a sensação de RESSOAR, uma palavra que já vem sendo dita por outros propositores desde o princípio. Então quando o movimento inicia e ressoar para o restante do corpo é como se ele se tornasse orgânico.
Testando o experimento descrito antes, eu percebi que o meu corpo realmente vai buscando caminhos pra facilitar a ação e torná-la mais orgânica. Fico pensando se isso é realmente inconsciente ou já é uma resistência, ou habito, ou até mesmo uma antecipação da constatação que eu espero ter.
Depois de todos estes questionamentos sobre como questionar, o conflito, a crise, fica um olhar: "Dança investigativa é só improvisar?
Constatamos que não. Um experimento dura muito tempo, tem várias etapas, várias questões. O que se apresenta é só um pequeno recorte disso."
Bárbara Machuca Thon
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Experimento de Crise pela Organicidade!
Orientação
Coletiva – 03/05/13
No meu projeto de pesquisa inicial eu falava sobre espontaneidade e organicidade, e de que forma alcançar
esses estados na dança. No decorrer das aulas da residência eu percebi que o que eu vinha chamando de
espontaneidade, neste lugar de criação, é na realidade a “verdade interna”. A
organicidade um tipo de organizar o corpo de forma natural.. Com essa pequena crise de ideias, eu comecei
a depois dos encontros e experimentos de criação escrever, e foram surgindo
pequenos textos simbólicos. Nestes textos eu percebi que o que me movia para
organizar minhas ideias sobre o estudo era realmente a CRISE gerada
interiormente. Pensando nisso eu resolvi entrar nas experiências de crise, que me levaram a organizar melhor as informações pra tentar chegar à organicidade. Como
se o caminho oposto levasse ao destino desejado; entendendo antes o que não é
orgânico pra encontrar o que é.
Isto me levou a pensar que tipo de coisa seria inorgânica pro corpo. Muitas coisas! Resolvi nesta semana experimentar o excesso de força pra mover o corpo, que é um estado que nós normalmente estamos, inconscientemente, mesmo que em algumas partes do corpo apenas. Demandando energia desnecessária para executar uma ação simples. Experimentei tentar levantar do chão, partindo da posição fetal, sem acionar grupos musculares grandes, que normalmente fazem essa ação, e sim usando principalmente músculos dos braços, mãos e pés.
Escolhi o chão como ponto de partida por ele ter uma representação de enraizamento e também de conforto. A ação de levantar e sustentar-se com as próprias pernas é uma ação de grande organização corporal, no sentido físico, como emocional. Isso pode acontecer de forma orgânica, natural, quando os caminhos certos são utilizados. No caso desta ideia, eu escolhi os caminhos mais difíceis pra ir realmente contra a organicidade.
Isto me levou a pensar que tipo de coisa seria inorgânica pro corpo. Muitas coisas! Resolvi nesta semana experimentar o excesso de força pra mover o corpo, que é um estado que nós normalmente estamos, inconscientemente, mesmo que em algumas partes do corpo apenas. Demandando energia desnecessária para executar uma ação simples. Experimentei tentar levantar do chão, partindo da posição fetal, sem acionar grupos musculares grandes, que normalmente fazem essa ação, e sim usando principalmente músculos dos braços, mãos e pés.
Escolhi o chão como ponto de partida por ele ter uma representação de enraizamento e também de conforto. A ação de levantar e sustentar-se com as próprias pernas é uma ação de grande organização corporal, no sentido físico, como emocional. Isso pode acontecer de forma orgânica, natural, quando os caminhos certos são utilizados. No caso desta ideia, eu escolhi os caminhos mais difíceis pra ir realmente contra a organicidade.
No encontro da orientação tinha esta ideia em
mente, e a sensação do experimento feito antes, mas a movimentação que seguiu
foi uma improvisação.
"Pensar mão, expandir o tato. É esse condensar nas mãos que ressoam no tronco visceralmente. Permaneço, Insisto, Invisto. Como mover? Permaneço entre a ação e a consequência!Insisto em respirar.Invisto em saborear os caminhos que levam questão.A grande maré enveredada à uma conjugação extracorporal"
Assinar:
Postagens (Atom)


