Olá amigos e alunos!
Hoje dia 1º de Setembro celebramos o dia do Educador Físico...
Quero parabenizar à todos que assim como eu escolheram a profissão de Educador Físico!
Por esta data, quero convidar vocês à refletirem comigo: o que é ser Educador Físico? O que é educador? O é que "físico"?
Todos os dias o educador educa algum gesto, alguma emoção, algum pensamento...
Todos os dias o educador auxilia na construção pessoal de alguém... Seja em casa ou na escola!
Pensando desta forma, em algum momento todos nós somos educadores! Educamos à nós mesmos e ao próximo...
O grande erro está em achar que o educador físico, educa apenas o "físico", porque o físico é tão limitado! E então o educador físico é aquele que ensina apenas como se constrói determinados "físicos".
O físico são as partes que nos formam, e estas partes formam algo muito além de apenas o físico...
Poderíamos pensar no físico como nossa pele! Que é o limite entre o nosso mundo interno e o externo. É a única coisa que separa nosso mundo interior do exterior. É uma parte que constroi um corpo todo. E este corpo todo é cheio de outras partes, como órgãos, músculos, hormônios, sentimentos, pensamentos, marcas, dificuldades...
Então, o que é educar o físico?
É educar o todo através das partes, para que assim as partes construam um todo harmonioso e em equilibrio!
Pensando nesta reflexão, quero convidá-los à ler um trecho de uma pesquisa minha como educadora física, que fala sobre a dança...
"A dança e a educação são, separadamente, duas áreas de conhecimento e atuação profissional. Influenciam formas de pensar e agir, unem grupos de pessoas distintas nas práticas e pensamentos.
A dança e a educação – como binômio: Dança-Educação, Dança/Educação, Dança Educação ou Dança Educativa – demonstram sua intensa ligação. Porém, é importante deixar claro que não necessariamente se misturam ou se fundem. Não obstante, apesar de não se fundirem ou misturarem, se cruzam e se multiplicam (MARQUES, 2009).
Estes encontros entre dança e educação reorganizam teorias e práticas, principalmente no que diz respeito ao olhar critico a respeito de como estas duas vivencias se interconectam. Marques (2009) relembra que educação não se resume à escola e dança não se resume às escolas e academias que propõe a sua prática. Também o educar não se resume à função de ensinar.
Justificando sua lembrança, Marques (2009) cita Paulo Freire, o qual trata a educação como uma maneira de impregnar de sentido cada ato cotidiano. A proposta de Paulo Freire, como bem lembra Marques (2009) é que haja diálogo e interação entre professor e aluno, para que juntos possam construir conhecimento, buscando transformar a realidade.
Marques (2009) cita os pensamentos de Freire para substanciar seus questionamentos a respeito da inexpressiva utilização da dança em contexto educacional e fortalecer seu entendimento de relação entre a dança e a educação. Enfatiza, assim, a importância desta reflexão sobre a relação entre estas duas áreas e a utlização destas conexões como meios transformadores.
As hipóteses propostas por Marques (2009), baseadas no pensamento freiriano, colocam a educação como um ato político, que age como uma leitura crítica, buscando a conscientização em prol da ética e justiça no mundo em que vivemos. A dança, não diferente da educação, é uma linguagem que nos oferece olhares diferentes sobre o mundo; possibilita-nos desconstruirmos, conhecermos, refletirmos e agirmos sobre o cotidiano. A dança, “enquanto arte do/com/pelo corpo, quer seja em situação educacional, educativa ou pedagógica carrega em si mesma o potencial de transformação dos cenários cotidianos sociais” (MARQUES,1999 apud MARQUES, 2009, p. 28).
Porém este foco da dança e educação depende de como a dança é ensinada, quais as metodologias aplicadas e quais os objetivos específicos para este trabalho. É isto que define a arte da dança educação, seja um meio transformador ou não.
É preciso que haja um fio condutor entre dança e educação, com propósitos claros, amplos e profundos. O professor deve dar aos educandos uma “lente critica” de trabalho, e pra isso deve ser crítico. E o professor crítico deve estabelecer relações entre a dança e a educação (MARQUES, 2009).
O que normalmente ocorre com a dança dentro da escola é uma dança de reprodução, dança-resultado, como expõem Marques (2009), meio em que os corpos dos alunos são apenas encaixados e adaptados à composições pré-formuladas. E desta forma não há nenhum processo educacional em construção.
Para justificar seu pensamento sobre dança-resultado e seu foco educativo Marques (2009) cita Freire:
Educação...mata o poder criador não só do educando mas também do educador, na medida em que este se transforma em alguém que impõe ou, na melhor das hipóteses, num doador de fórmulas e comunicados, recebidos passivamente pelos seus alunos. Não cria aquele que impõe, nem aqueles que recebem; ambos se atrofiam e a educação já não é educação. (FREIRE, 1982 apud MARQUES, 2009, p.33)
A dança educação proporciona ao indivíduo ir além de si mesmo, “outrar-se” como define Otávio Paz (1982) apud Marques (2009), transcender o que lhe é oferecido. Dança Educação vai além de aspectos técnicos ou estruturais, é uma experiência que constrói relações transformadoras."
(Bárbara M. T.)
Agradeço à todos que confiam seus "físicos" à nós educadores...
Paz e Luz!